Scott Pilgrim, Vingadores e a estratégia japonesa


Desde o primeiro fanzine que publiquei na vida – lá se vão 25 anos – e comecei a escrever sobre assuntos de meu interesse advoguei a tese de que os mangás/animes/videogames tinham uma vantagem competitiva em relação aos concorrentes acidentais: eles atacavam num combo triplo carpado. Explico: um produto, digamos, Cavaleiros do Zodíaco, era planejado para ser lançado em várias mídias e com unidade estética pois, ora bolas, 1- visavam o mesmo público, 2 -eram oriundos de uma mesma “escola” ou estilo e finalmente: 3- desta forma é mais barato e/ou fatura mais!

Você pode achar que a Bandai, por exemplo, cria um conjunto de bonecos e já encomenda animação e quadrinhos deles. Não é bem assim. O produto não se limita aos bonecos e o anime e o mangá não são peças publicitárias. Tudo é trabalhado agregando valor e fazendo parte do produto. O produto é o conteúdo, é o conjunto, o conceito. E será vendido como bonecos, animes, mangás, games e trilha sonora. O mais parecido que temos com isso é a Disney e não é coincidência ser a gigante que é.

Nos anos seguintes vi a grande crise dos quadrinhos europeus que imediatamente culparam a invasão dos super-heróis americanos e do mangá. Nos EUA vi muito choro por causa da invasão de animes e mangás – se não tomando mercado pelo menos influenciando muito o estilo tanto narrativo quanto visual da nova geração de artistas. Eu achava inacreditável que He-man não tivesse quadrinhos com mesmo visual e qualidade dos desenhos animados. Tinha que estar presente com coerência nos videogames e filmes. Era chocante que nem mesmo as histórias dos super-heróis – a chamada nova mitologia americana – fosse minimamente coerente entre mídias distintas.

Não é mágica o que a Marvel – será que a Disney por é coincidência? – está conseguindo fazer com os MCU (Marvel Cinematic Universe). Filmes com alta qualidade e estética similar ao que os fãs dos quadrinhos esperam. Mas ainda não é isso. Os Vingadores já fazem sucesso há décadas. Seu sucesso no cinema pode parecer derivativo. E pararia por aí certo?. Afirmo algo mais: o lançamento de produtos complementares simultâneos ou concatenados pode render mais. As séries de desenhos deixam a desejar e apenas Guardiões da Galaxias chegaram perto do que se pode fazer comercialmente com a música dos filmes da MCU .

SCOTT_PILGRIM_by_captainosakaO que isso tudo tem a ver com Scott? Eu nem ao menos sou um super fã da série. Mas o lance mais interessante e notável quando adaptaram o quadrinho para o cinema foi essa estratégia de lançar o videogame, filme e trilha sonora muito de acordo com a série original, tudo junto e na mesma linguagem. E mesmo sendo uma obra para um nicho, não podemos negar que foi bem sucedido em varias frentes.

Esta sinergia é (quase) obvia e será cada vez mais importante ser compreendida pelos grandes players da indústria do entretenimento.

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